Para que servem os hubs de inovação?

Publicado em 14/12/2025 no Portal ES360

Um hub (do inglês “centro”, “ponto de conexão”) é um ponto central ou núcleo que conecta vários elementos, como computadores em uma rede, voos em um aeroporto, ou ideias e pessoas em um espaço de inovação, centralizando processos, informações e recursos para facilitar a comunicação e a troca, otimizando eficiência e colaboração. 

Hub de inovação é um dos tipos de ambientes de inovação que incluem as incubadoras, aceleradoras, parques tecnológicos e alguns coworkings que fazem mais do que alugar salas. Grupos técnicos de zap muitas vezes fazem esse papel. Esses grupos arranjam empregos, circulam informação, sugerem soluções, dão dicas, além de brigar, é claro.

A fronteira entre essas classificações de ambientes de inovação é fluida, alguns deles executam mais de um papel, mas a atividade principal dos hubs é conexão.

Vejo pessoas preocupadas e escuto até críticas de que os hubs abertos no estado são muitos e não teriam resultados palpáveis. O problema é que os resultados de conexões são, em grande parte das vezes, difíceis de rastrear. Quantas vezes participamos de eventos e palestras e apenas uma frase, um pensamento ou uma ideia dão um insight transformador. No início da minha carreira como analista de sistemas, estava encalacrado com um sistema em desenvolvimento onde eu não conseguia o tempo de resposta adequado, por mais que tentasse. Um amigo, interessado no projeto, veio me visitar e contei a ele o problema. Experiente, ele me deu a solução rápida de trocar a ordem dos processos e resolveu o problema.

Em San Francisco, Noah Glass, que tentava montar um projeto de rádio pirata, folheando a revista Forbes, viu uma foto de Evan Williams, fundador de uma startup que começava a fazer sucesso. Para sua surpresa, ao fundo na foto aparecia uma janela por onde se avistava, no prédio vizinho, uma cozinha que ele percebeu que era do seu próprio apartamento. Ele abriu a janela da cozinha, gritou pelo vizinho e ali começou uma grande amizade e juntos criaram o Twitter. São Francisco inteiro é um hub como, modestamente – por enquanto -, Vila Velha quer fazer com seu Vila Valley, recém lançado.

A primeira incubadora do estado, a Tecvitória, além de graduar empresas, criou a figura do escritório de projetos que ajudou muita gente a captar recursos de fontes diversas e treinou outras incubadoras. O Base27, com seu modelo de trazer inúmeros patrocinadores, introduziu muitos deles no movimento da inovação com suas conexões. A coisa funciona como uma pedra no lago, espalhando ondas. Quem vê a n-ésima onda não sabe mais onde a pedra bateu. O FindesLab trouxe muitas startups para resolver desafios de grandes empresas e instituições e contribui para aprimorar iniciativas de inovação das duas pontas. Os hubs do interior, em muitos municípios, democratizam geograficamente as iniciativas e oportunidades. Nesses hubs, ou ambientes, muitas pessoas foram captadas para o movimento do empreendedorismo inovador por uma experiência ou uma palavra.

Embora cidadão do mundo digital, Steve Jobs era um entusiasta de encontros ao vivo e da sinergia do imenso parque tecnológico em volta da Universidade de Stanford: “Existe uma tentação em nossa era digital de pensar que as ideias podem ser desenvolvidas por email. Loucura. A criatividade vem de encontros espontâneos, de conversas aleatórias. A gente encontra alguém por acaso, pergunta o que anda fazendo, diz uau e logo começa a borbulhar todo tipo de ideia.”

Hubs criam a oportunidade de encontros aleatórios como o que levou Diogo Roberte, da Rochaz de Iconha, desenvolvedor de equipamentos para rochas ornamentais, a sócio do PicPay. O exemplo do PicPay animou muita gente a querer ficar rico também. É a motivação mais eloquente. Mesmo sem ficar milionários, muitos criaram startups que ganharam o Brasil, e algumas, o mundo.

Agora, torço para o futuro que promete um grande salto tecnológico com a disseminação das deeptechs, saídas das bancadas de pesquisadores, com alta tecnologia e baseadas em ciência, para resolver grandes problemas.  

Enfim, hubs não podem ser medidos pela quantidade de startups geradas e mantidas no seu guarda-chuva, como se fossem empresas. Existem para espalhar inovação por aí.

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